monoliticidade

ruas monótonas
monocromáticas
tão vívidas quanto um fax
paleta de brancos, de pretos e cinzas
e o amarelo desbotado de um táxi

esquinas monódicas
monotemáticas
emboca o artista seu sax
em sonoridades melancólicas
de uma miséria assaz

praças monumentos
monárquicos
berço esplêndido de tanta gente
terras de pombos e plebes
e uma nobreza poente

tempos mudos
monossilábicos
geração de uma angústia premente
intransponível faixa dupla contínua
do asfalto presente


Autor: Luciano Motta

2 Comentários

Arquivado em poemas

2 respostas para monoliticidade

  1. Oi Lu!Fiquei encantada com seus versos, me lembram e me trouxeram uma saudade apertada no peito de um amigo muito querido meu… Um deleite lê-los…
    Muitíssimo grata pela visita… aqui neste cantinho só seu, serei uma visita constante.
    Bjos!
    Ro
    (ah, se tiver curiosidade, aqui o blog do amigo querido: http://serginhoreis.blogspot.com )

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